O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - PASSEANDO PELA COLECÇÃO MILLENIUM


A Fundação está situada na Avª. da Boavista (Porto)

e expõe «100 ANOS DE PINTURA PORTUGUESA» (Colecção Millennium) até 22.01.2011


Não se esgota nos quadros fotografados, que são por ordem de colocação: Sousa Pinto, Silva Porto, Malhoa, Manuel Amado, Júlio Resende, Júlio Pomar, João Vieira, Graça Morais, Eduardo Luiz, Eduardo Barata,Cesariny, Carlos Calvet, Carlos Botelho, Cargaleiro, Armanda Passos, Palolo, Almada Negreiros, Paula Rego, René Bertholo e Vieira da Silva
























segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CASA DA MÚSICA

ONPCM - DIRIGIDA PELO MAESTRO EMILIO POMÁRICO

-CLAUDE DEBUSSY - Prélude à l'aprés-midi d'um faune
Poema de Mallarmé, numa interpretação livre. Sugestão...Evocação de sensações...distanciamento reflexivo...bucolismo associado ao miticismo de faunas e ninfas...
-ALBAN BERG - Três peças para orquestra
Segunda Escola de Viena...movimento de vanguarda introdutor do dodecofonismo e do serialismo. Schönberg lançou o repto a Berg, para compôr uma obra de folgo, já que a sua tendência era o minimalismo. Berg nunca se afastou totalmente da consonância, Mahler exercia uma grande influência e a sua estética foi mais expressionista.
-IGOR STRAVINSKY - Petruchka
Colaboração criativa de grande importância entre Stravinsky, Diaghilev e os seus Ballets Russes. Bailados concebidos tendo por base a tradição folclórica russa. Petruchka, personagem irreverente do teatro de robertos. A história é um triângulo amoroso...Petruchka, a bailarina e o mouro...musicada com padrões rítmicos repetitivos e enérgicos...

ORQUESTRA GULBENKIAN - DIRIGIDA POR SIMONE YOUNG

-MAGNUS LINDBERG - Chorale
Esta obra reporta-se ao coral de Bach «Es ist genug»...dramatismo de grande intensidade...compacto e multifacetado conjunto de variações.
-ALBAN BERG - Concerto para violino e orquestra - À memória de um Anjo
Estímulo emocional para este concerto, a morte de Manon Gropious com 18 anos, filha de Alma Mahler e do arquitecto Walter Gropious.
Nesta obra também é citado «Es ist genug» da Cantata O Ewigkeit, du Donnerwort de Bach.
É a composição mais célebre de Berg, peça difícil de referência para violino, com um lirismo transbordante. Foi uma espécie de testamento fúnebre porque Berg morreu no ano em que compôs este concerto.
Violinista - CHRISTIAN TETZLAFF
-ANTON BRUCKNER - Sinfonia nº.6
Bruckner teve dificuldade em que a sua produção sinfónica fosse aceite. As suas sinfonias são densas, pesadas com blocos maciços e contrastantes, mas outra das razões podia ter sido de se ter colocado ao lado do grupo que admirava Wagner, contra o grupo que se lhe opunha, defendendo Brahms.

Esta sinfonia só foi estreada postumamente dirigida por Mahler. A Sexta foi a concretização de um projecto expressivo espiritualizado, dedicado ao Criador, numa linguagem musical arrojada e surpreendente.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

POEMAS DE RILKE

Poema dedicado a Lou-Andreas Salomé, que quase se chegou a perder.Trata-se do poema de amor com mais impacto que conheço. Impossível tamanha emoção traduzida em palavras.

Lösch mir die Augen aus: ich kann Dich sehn
Wirf mir die Ohren zu: ich kann Dich hören
Und ohne Fuss noch kann ich zu Dir gehn
Und ohne Mund noch kann ich
Dich beschwören.
Brich mir die Arme ab: ich fasse Dich
Mit meinem Herzen wie mit einer Hand
Reiss mir das Herz aus: und mein
Hirn wir schlagenund wirfst
Du mir auch in das
Hirn den Brand
So will ich Dich auf meinem Blute tragen.
Apaga-me os olhos: e ainda posso ver-te,
tranca-me os ouvidos: e ainda posso ouvir-te,
e sem pés posso ainda ir para ti,
e sem boca posso ainda invocar-te.
Quebra-me os braços, e posso apertar-te
com o coração como com a mão,
tapa-me o coração, e o cérebro baterá
e se me deitares fogo ao cérebro
hei-de continuar a trazer-te no sangue".
(Tradução do germanista português, Paulo Quintela)



























WolgaBist Du auch fern:
ich schaue Dich doch an,Bist Du auch fern:
mir bleibst Du doch gegeben ---
Wie eine Gegenwart, die nicht verblassen kann.
Wie meine Landschaft liegst
Du um mein Leben.
Hätt ich an Deinen Ufern nie geruht:
Mir ist, als wüsst ich doch um Deine Weiten,
Als landete mich jede Traumesflut
An Deinen ungeheuren Eisamkeiten.





Volga


Por longe que estejas: posso ainda te ver,
Por longe que estejas: tu permanecerás
Qual presença que não pode empalidecer,
Qual paisagem, a mim sempre contornarás.
Se tuas margens eu jamais tivesse tocado,


Mesmo assim saberia tua imensidão:
Ondas de meus sonhos me teriam levado
À beira de tua infindável solidão

sábado, 20 de novembro de 2010

ANNE SEXTON (1928-1974)

Anne Gray Harvey nasceu em Newton, Massachusetts, em 1928. Filha do empresário Ralph Harvey e de Mary Gray Staples. Passou a maior parte da sua infância em Boston. Em 1945, estudou em Rogers Hall, em Lowell, Massachusetts e mais tarde, durante um ano, em Garland Junior College. Sexton trabalhou como modelo para a agência Hart de Boston. Em 1948, com dezanove anos, casou com Alfred Sexton, e permaneceram juntos até 1973, um ano antes de sua morte.
Em 1953 teve uma filha. Em 1954, foi diagnosticada com depressão pós-parto e sofreu o seu primeiro colapso mental. Foi admitida em Westwood Lodge, um hospital neuropsiquiátrico, onde repetidamente fez tratamento. Em 1955, após o nascimento da sua segunda filha, Sexton foi hospitalizada novamente. Nesse mesmo ano, no seu aniversário, tentou o suicídio.
Ao longo da sua vida, Sexton sofreu de severos transtornos mentais. Martin Theodore Orne, tornou-se o seu médico permanente e foi ele que a encorajou a escrever poesia. O primeiro workshop de poesia, foi ministrado por John Holmes. Sexton teve um rápido sucesso e os seus poemas foram aceites pelas revistas The New Yorker, Harper's e Saturday Review. Mais tarde, foi aluna de Robert Lowell na Universidade de Boston, juntamente com outros poetas como Sylvia Plath e George Starbuck.
Depois o seu mentor foi W. D. Snodgrass, que conheceu durante uma conferência de escritores. Enquanto trabalhava com John Holmes, Sexton conheceu Maxine Kumin. Tornaram-se grandes amigas e assim permaneceram pelo resto da vida de Sexton. Kumin e Sexton criticavam rigorosamente o trabalho de uma e da outra. Escreveram, juntas, quatro livros infantis. No final da década de 1960, a doença mental de Anne começou a afectar a sua carreira, embora ela continuasse a escrever e a publicar. Anne também colaborou com músicos, formando um grupo de jazz chamado Her Kind, que adicionava música à sua poesia. A sua peça teatral Mercy Street foi produzida em 1969, após anos de revisão e inspirou a canção homónima de Peter Gabriel.




Em 1974, Anne Sexton teve um encontro com Maxine Kumin, para reverem The Awful Rowing Toward God. Ao retornar a casa, vestiu o velho casaco de peles da sua mãe e trancou-se na garagem, deixando o motor do seu carro ligado. Morreu por intoxicação de monóxido de carbono.
Assim como Robert Lowell , Sylvia Plath , WD Snodgrass (que exerceu grande influência sobre o seu trabalho), a sua poesia confessional, deu ao leitor uma visão íntima da angústia emocional que caracterizou a sua vida.
Além dos seus temas padrões como depressão, isolamento, suicídio, morte e desespero, Anne Sexton escreveu também sobre questões específicas das mulheres, como menstruação, aborto, masturbação e adultério. Na época, tais matérias não eram focadas em poesia. Os temas dos seus poemas sofreram críticas negativas, mas a sua qualidade poética superou a controvérsia sobre o assunto.

http://www.poetryfoundation.org/bio/anne-sexton
http://www.poets.org/poet.php/prmPID/14
http://www.germinaliteratura.com.br/anne_sexton.htm

POESIA DE ANNE SEXTON


QUANDO O HOMEM ENTRA NA MULHER
.
Quando o homem entra na mulher,
como a onda batendo contra a costa,
de novo e de novo,
e a mulher abre a boca com prazer
e os seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem dentro da mulher
ata um nó de modo que nunca
possam voltar a separar-se
e a mulher sobe a uma flor e engole o seu caule
e Logos aparece e solta os seus rios.
Este homem,esta mulher,com a sua dupla fome,
tentaram atravessar a cortina de Deus,
e por um instante conseguiram,
ainda que Deus na Sua perversidade
desate o nó.
.
PALAVRAS
.
Tem cuidado com as palavras
mesmo as milagrosas.
Pelas milagrosas nós fazemos o melhor possível,
por vezes são como uma multidão de insectos
que não nos deixam uma picada mas um beijo.
Podem ser tão boas como dedos.
Podem ser tão seguras como a rocha onde te sentas.
Mas também podem ser ao mesmo tempo margaridas e [amachucadas].
Contudo, estou apaixonada pelas palavras.
São pombas que caem do tecto.
São seis laranjas santas pousadas no meu regaço.
São as árvores, as pernas do verão,
e o sol, o seu impetuoso rosto.
No entanto, falham-me com frequência.
Eu tenho tantas coisas que quero dizer,
tantas histórias, imagens, provérbios, etc.
Mas as palavras não são suficientemente boas,
as erradas beijam-me.
Por vezes voo como uma águia
mas com as asas de uma carriça.
Mas tento ter cuidado e ser amável com elas.
As palavras e os ovos devem manipular-se com cuidado.
Uma vez partidas há coisas impossíveis de reparar.
.
DEPOIS DE AUSCHWITZ
.
Raiva tão negra como um gancho,alcança-me.
Cada dia, cada nazi pega, às oito da manhã,
num bebé e serve-o ao pequeno-almoço com pão frito.
E a morte olha despreocupada
e limpa a sujidade que tem debaixo das unhas.
O homem é maldade, digo em voz alta.
O homem é uma flor que poderia ser queimada,
digo em voz alta.
O homem é um pássaro cheio de barro
digo em voz alta.
E a morte olha despreocupada e arranha o ânus.
O homem, com seus pequenos e rosados dedos dos pés,
com seus dedos milagrosos
não é um templo mas um anexo,digo em voz alta.
Que o homem nunca mais levante A sua chávena de chá.
Que o homem nunca mais escreva um livro.
Que o homem nunca mais calce um sapato.
Que o homem nunca mais eleve os seus olhos
numa suave noite de Junho.
Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca.
Digo isto em voz alta.
E suplico ao Senhor que não ouça.
.
Versão dos poemas “When man enters woman”, “Words” e “After Auschwitz” de Anne Sexton
.
OS BOMBARDEIROS
.
Nós somos a América.
Somos os enchedores de caixões.
Nós somos os merceeiros da morte.
Nós empacotamo-los como se fossem couves-flor.
A bomba abre-se como uma caixa de sapatos.
E a criança?A criança certamente não boceja.
E a mulher?A mulher lava o seu coração.
Foi-lhe estropiado e, porque está queimado,
num acto derradeiro,ela enxagua-o no rio.
Este é o mercado da morte.
América,onde estão as tuas credenciais?

.
BONECAS
.
Bonecas,aos milhares,estão a cair do céu
e eu olho para cima com medo
e pergunto-me quem as irá apanhar?
As folhas, segurando-as como pratos verdes?
Os charcos, abertos como copos de vinho
para as beber?
Os topos dos edifícios para se esmagarem nas suas barrigas
e deixa-las ali para ganhar fuligem?
As auto-estradas com as suas peles duras
para que sejam atropeladas como almiscareiros?
Os mares, à procura de algo que choque os peixes?
As cercas eléctricas para lhes queimar os cabelos?
Os campos de milho onde podem estar sem ser colhidas?
Os parques nacionais onde séculos mais tarde
Serão encontradas petrificadas como bebés de pedra?
Eu abro os braços e apanho uma,duas,três…
dez ao todo a correr para a frente e para trás
como um jogador de badmington,
apanhando as bonecas,
os bebés onde eu pratico,
mas outras estilhaçam-se no telhado
e eu sonho, acordada, eu sonho com bonecas a cair.
que precisam de berços e cobertores e pijamas,
com pés verdadeiros
Porque é que não há uma mãe?
Porque é que estas bonecas todas estão a cair do céu?
Houve um pai?
Ou os planetas cortaram buracos nas suas redes
e deixaram a nossa infância sair,
ou somos nós as próprias bonecas,
nascidas mas nunca alimentadas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

LEMBRANDO JOSÉ SARAMAGO ...(Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010)


«Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer." Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.»
José Saramago, Discursos de Estocolmo - 7 e 10 de Dezembro de 1998
Arte de Amar
Metidos nesta pele que nos refuta,
Dois somos, o mesmo que inimigos.
Grande coisa, afinal, é o suor
(Assim já o diziam os antigos):
Sem ele, a vida não seria luta,
Nem o amor amor.
Química
Sublimemos, amor.
Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós as provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.
Demissão
Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes.

Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

domingo, 14 de novembro de 2010

AUNG SAN SUU KYI






FINALMENTE EM LIBERDADE!...

CANÇÃO QUE BONO DEDICOU A AUNG SAN SUU KYI

sábado, 13 de novembro de 2010

UM SORRISO AOS PÉS DA ESCADA


Henry Valentine Miller (Manhattan, New York, 26 de Dezembro de 1891– Los Angeles, 7 de Junho de 1980)
Este escritor ficou conhecido por desafiar a sua época com a sua escrita contestatária e libidinosa. "Trópico de Câncer" (1934) e "Trópico de Capricórnio" (1938) são alguns dos seus livros que mais chocaram a sociedade, chegando mesmo a ser acusado de pornografia.
Foi só na década de 1960, com as suas reivindicações de liberdade sexual, que a juventude norte-americana reconheceu Miller como um grande autor e até mesmo um guia.
A maioria dos meus leitores, dividem-se em dois grupos distintos: um dos grupos são aqueles que dizem que o sexo os repele e enoja, o outro são os que compartilham que se fale de sexo como uma coisa normal.
( O Mundo do Sexo, 1965).
Miller não gostava da conotação que lhe era dada como escritor sexual, quase um marginal a outros escritores e tentou desmontar essa ideia, sem sucesso. A sua obra por parte do público e da crítica, era considerada literatura erótica, esquecidas as partes filosóficas, que também compõem os seus livros e os livros que escreveu sem qualquer conotação erótica.
Como exemplo lembro, o seu extraordinário livro: «O Sorriso aos pés da Escada». Escrito a pedido do pintor Fernand Léger, a história do palhaço Augusto é de um humanismo próximo da poesia. Miller diz: «O palhaço é um poeta em acção.» E acrescenta: «Ele é a história que desempenha.»Miller considera «O Sorriso aos pés da Escada» a sua obra mais «verdadeira». Talvez porque, tal como revela no epílogo, «quando Augusto se torna ele próprio, a vida começa - e não só para Augusto: para toda a humanidade».
«Morremos a lutar para nascer. Nunca fomos, nunca somos. Estamos sempre na contingência de vir a ser, separados, desligados sempre. Sempre do lado de fora. (...) Um dia destes, falando com um pintor meu conhecido acerca das figuras que Seurat nos deixou, afirmei-lhe que elas se encontravam enraizadas ali mesmo onde ele lhes deu vida - na eternidade. Como me sinto grato por ter vivido com estas figuras de Seurat - na « Grande Jatte», no «Médrano» e fosse onde fosse, em espírito! Não há absolutamente nada de ilusório à volta destas suas criações, cuja realidade é imperecível. Vivem na luz do sol, na harmonia da forma e do ritmo que é melodia pura. E também, de facto, com os palhaços de Rouault, os anjos de Chagall, a escada e a lua de Miró, e todo o seu «zoo» ambulante. Assim também com Max Jacob, que nunca deixou de ser um palhaço - mesmo depois de ter encontrado Deus. Pelo verbo, pela imagem, pelo acto, todas estas abençoadas almas que me fizeram companhia testemunharam e eterna realidade da sua visão. Será nosso, um dia, o seu mundo quotidiano. De facto já é nosso - simplesmente, estamos demasiado empobrecidos para lhe reivindicar a propriedade.»

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

STAN GETZ

SAMBA TRISTE



SÓ DANÇO SAMBA



CORCOVADO

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

JOÃO JOSÉ COCHOFEL (1919 - 1982)

Pintura de Mário Dionísio
Ânsia
.
Há uma ave que rompe do teu corpo
e desaparece a voar.
Gaivota, andorinha, cotovia?
Veio beber e soltou-se.
Deixa uma ânsia latente
a estremecer no ar.
.
Tarde
.
Teus olhos húmidos eram lagos
em que nosso desejo se mirava.
Tua boca entre aberta
era a mensagem
do teu corpo moço que se dava.
.
Teu hálito quente
embrulhado de desejo
vinha de não sei lá que profundezas
em que de amor tuas entranhas se abrasavam.
.
E havia, amor, a envolver-nos,
essa solidão enorme
entre pinheiros, céu e terra quente
da tarde que dorme …
.
Sensibilidade
.
Que sensibilidade me sobe
da passada adolescência?
Que agudeza dos sentidos
me perturba a consciência?
.
Surge do desencanto
um mundo a que me abandono.
Tranquilo e caricioso
como um sol de Outono.
.
A cor, a luz, as formas,
sinto-as de coração novo!
Em tudo desconheço
uma experiência que renovo.
.
Como quem sai
duma longa doença,
deslumbrado e comovido
pela convalescença.
.
biografia aqui

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ANAÏS NIN (1903-1977)


A obra de Anäis Nin, está impregnada de conteúdo erótico e é substancialmente preenchida pelas suas experiências. Constitui uma reflexão literária e psicológica sobre sua identidade feminina. Destaca-se Delta de Vénus (1977), traduzido para todas as línguas ocidentais e aclamado pela crítica americana e europeia. As suas grandes influências são a obra de James Joyce e a psicanálise de Sigmund Freud.
Foi realizado em 1990 o filme,
Henry & June, dirigido por Philip Kaufman, sobre o período do relacionamento de Anaïs Nin com Henry Miller.

Deirdre Bair, escreveu uma biografia sobre Anaïs Nin, revelando aspectos da vida da escritora, não conhecidos, como por exemplo uma relação incestuosa que teve com o pai. Foi mesmo a primeira escritora a explorar esse assunto. Segundo disse teve um pressentimento ao ler os diários do incesto e falou com alguns elementos da família. Inclusivamente com o seu irmão Joaquim, um musicólogo que mora em Berkeley, que revelou que o pai, quando ela escreveu o livro «A Casa do Incesto», estava chocado e preocupado, que ela fosse contar tudo. Além disso, a biógrafa é membro de uma organização, onde há especialista nessa matéria e deu algumas páginas do Diário, para eles lerem. Todos sublinharam as mesmas partes e foram unânimes em dizer que houve incesto.Bair, faz alusão a que nos Diários, Anäis Nin mentiu e para além dos diários onde primou em erotismo, não a considera uma grande escritora.
Sobre a sua independência e liberdade ela mentiu e os seus diários influenciaram uma série de mulheres, que viam nela uma mulher perfeita, que viajou pelo mundo, viveu só, fez o que queria, dona da sua sexualidade, dinheiro, de tudo! Todas queriam imitar Anaïs Nin. E mudaram a sua vida. Na realidade ela nunca esteve só, sempre foi protegida, chegou a ter dois maridos, um deles bastante rico, que lhe pagava tudo que ela queria. Quando se descobriu a verdade, as mulheres voltaram-se contra ela, considerando que escreveu de uma forma premeditada, a forma como queria ser vista e conhecida. No entanto para a biógrafa, isso é irrelevante, aceitando que contou o que queria e como queria, mas isso não a impediria de fazer o contexto dessa realidade.Nesta época Bair diz que os Diários teriam sido publicados de imediato, no tempo os diários eram chocantes e ninguém os queria editar. Anäis inspirava-se nela própria para fazer ficção, e foi a maneira melhor como fez ficção.
Relativamente ao erotismo, a biógrafa diz que falou com Michele Slung, especialista em literatura erótica e este considerou-a o melhor exemplo do género como mulher, foi realmente a primeira vez que uma mulher foi capaz de expressar a sua própria sexualidade de uma forma lírica.
Sobre o filme
Henry & June, Bair diz ter ficado impressionada com a forma como o director Philip Kaufman, foi capaz de adaptar o seu diário, no entanto considera que há dois erros que devem ser corrigidos. Anaïs, nunca teve um relacionamento físico com June Miller, mulher de Henry Miller, acrescentando que Anaïs numa orgia na década de 40 em Nova York teve uma relação lésbica e não gostou e nunca mais teve relacionamentos físicos com mulheres. O segundo erro, foi o realizador passar a ideia que o marido era um homem estúpido, quando na realidade ele era um homem extremamente sensível, sofisticado, que sabia o que acontecia, mas preferia não ver.A biógrafa considera os Diários, uma obra importante, que marca uma época e recheados de testemunhos dessa época.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JORGE LUÍS BORGES - POESIA

SOU
Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador
que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento.
Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra.
Um esquecimento, um eco, um nada.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"




O APAIXONADO

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Durer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros.
É mentira. Só tu existes.
Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.
.
Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

À VOLTA DO BARROCO - CASA DA MÚSICA

Na Casa da Música decorre o ciclo À VOLTA DO BARROCO, de 31 OUT a 14 NOV. Abriu com Concertos para Órgão de ANTONIO SOLER, por Filipe Veríssimo e Tiago Ferreira, seguiu-se o cravista Ton Koopman ( Buxtehude, Frescobaldi, Bach, Seixas, Scarlatti e outros).
Hoje a OSPCM, dirigida por Yves Abel, com a participação da cravista Maggie Cole, apresentou o seguinte programa:
Gabriel Fauré (Pavana), Francis Poulenc (Concerto Campestre) e Maurice Ravel (Pavana Para um Infanta Defunta, Suite de Ma Mére l’Oye e o Túmulo De Couperin)
Porque estão incluídos estes compositores do séc. XIX/XX, neste ciclo? Estes compositores viveram numa época de revivalismos. A França, depois de longos anos de uma vida musical de segundo plano, devido ao sinfonismo germânico, firmou o seu renascimento a um estilo enraizado nos compositores do Barroco. Esta procura de uma expressão própria, resultou numa linguagem realmente única, marcada por uma clareza de recorte, sensualidade rítmica e melódica, bem como uma riqueza de colorido.

Próximo concerto, a não perder com HESPÈRION XXI, com Jordi Savall, cujo programa será: ISTAMBUL 1710 - «O LIVRO DA CIÊNCIA DA MÚSICA» DE DIMITRIE CANTEMIR E AS TRADIÇÕES MUSICAIS SEFARDITAS E ARMÉNIAS.

VARÈSE E JOHN CAGE



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

KATE MILLETT (1934-)

Sexual Politics, é uma das importantes obras sobre a libertação da mulher e um livro essencial da história política do século XX. O livro, sistematiza a subjugação e exploração das mulheres, identifica o patriarcado, as crenças condicionadas pela natureza, tendo como vectores, a literatura, a filosofia, a psicologia e a política. A sua obra incendiária, causou grande polémica social e lançou as bases, para posteriores estudos feministas. Com este livro, que foi tese de doutoramento, Millet deu voz à raiva de uma geração. Explorando a História fez História, focando a condição da mulher, dentro do postulado «de onde viemos e para onde devemos ir».Critica o sexismo dos romancistas modernos DH Lawrence , Henry Miller e Norman Mailer .

O livro tornou-se um best-seller, inovador e provocador, uma obra incendiária, mas também detentora de uma análise profunda e essencial, que foi mesmo considerada uma obra-prima, no aspecto documental e intelectual.

QUEM FOI KATE MILLET?

Katherine Murray Millett, escultora, feminista, escritora e activista, nasceu em 14 de Setembro de 1934, em St. Paul, Minnesota.
A sua infância e adolescência não foram fáceis, ela mesmo revelou, que viveu num ambiente católico muito conservador. A família tinha problemas financeiros, o pai espancava os filhos, Katie lembra-o como alucinado e assustador, a mãe apesar de ter um curso, teve dificuldades em ganhar a vida.
Kate Millett estudou na Universidade de Minnesota, onde era um membro da Kappa Alpha Theta e no Hilda's College St, Oxford, onde foi uma aluna brilhante em literatura inglesa, especializando-se nos vitorianos.Teve depois dificuldade em arranjar emprego e voltou a Nova Iorque onde trabalhou e estudou escultura.
Millett mudou para o Japão em 1961. Aí conseguiu expor alguns dos seus trabalhos e conheceu o escultor, Fumio Yoshimura. Dois anos depois, retornou aos Estados Unidos, com Yoshimura, com quem esteve casada de 1959 a 1985. Não tiveram filhos e isso quase motivou a expatriação do escultor. Millett deu aulas e simultaneamente inscreveu-se na Universidade de Columbia. Destacou-se como grande activista feminista, nos anos de 1960 e 1970. Em 1966, tornou-se um membro da comissão da Organização Nacional para Mulheres. Millett fez muitas conferências, embora fosse vista como neurótica.
Sexual Politics, foi a sua tese de dissertação, premiada pela Universidade de Columbia em 1970 e foi publicado em livro, tornando-se uma bomba.
Kate entregou-se completamente a esta causa, os seus discursos eram muito inflamados e acabou por ser impedida de dar aulas. O seu livro tornou-se bastante polémico e foi perseguida por entrevistadores e bombardeada com telefonemas. A sua vida familiar foi muito afectada. De qualquer forma Kate não desistiu, para ela a libertação da Mulher era a sua vida, mesmo sendo considerada por muitos como uma louca.

Em 1971, Millett começou a comprar e a restaurar áreas e edifícios próximos a Poughkeepsie, Nova York . O projecto tornou-se na colónia da Mulher Arte / Tree Farm, uma comunidade de artistas e escritores do sexo feminino, que é suportada pelas vendas dos residentes.
Millet, produziu o filme «Três Vidas» (1971), um documentário de 16 milímetros, feitos por uma equipe de mulheres, sob o nome de Mulheres de Libertação do Cinema. O seu livro Flying (1974) aborda o seu casamento com o Yoshimura e os seus casos amorosos com mulheres. Sita (1977) é uma meditação sobre o amor, com um administrador do colégio feminino, que era dez anos mais velho que ela.

Em 1979, Millett foi para o Irão trabalhar nos direitos das mulheres, foi logo deportada, mas escreveu sobre essa experiência. Em A-Loony Bin Trip (1990) descreve a sua experiência quando foi presa num estabelecimento psiquiátrico, diagnosticada como "bipolar", e da sua decisão de suspender a terapia do lítio. Foi a tribunal defender a sua sanidade mental.
Millett continuou a derrubar os mitos da psiquiatria. Como representante da MindFreedom Internacional, falou contra a tortura psiquiátrica nas Nações Unidas e negociou o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).

http://www.katemillett.com/
http://www.answers.com/topic/kate-millett

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

MISTÉRIOS DE LISBOA - RAOUL RUIZ



"Os Mistérios de Lisboa", baseia-se numa obra literária prolixa de Camilo Castelo Branco, com uma dimensão épica que revisita o século XIX. O filme oscila entre o romance histórico e as considerações filosóficas, que transmutam as fragilidades de folhetim em meditações profundas sobre a comédia humana. Neste contexto, duelos, recepções, bailes, assassinatos e emboscadas reúnem-se num imenso fresco histórico, unificando as narrativas em mosaico numa falsa epopeia que percorre os espaços (Portugal, França, Brasil) com a fluidez que só o grande cinema pode atingir.

Ao ver este filme pode-se pensar em Manuel de Oliveira, mas as formas de abordagem são muito diferentes, há ritmo, não há planos fixos, nem narrações fastidiosas. Tem também um naipe de actores que entraram bem nos seus papeis e preciosismo e riqueza na reconstituição de cenários e guarda-roupa. O que avulta nesta aventura romanesca é a demanda das formas, a procura de tempo perdido nas malhas de um presente complexo, sempre consciente das armadilhas que vai tecendo, jogando na multiplicidade e na irregularidade, Raoul Ruiz constrói a sua obra-prima, feita de fragmentos e de ruínas, fiel ao romantismo de Camilo.
Inconveniente a grande duração do filme, quatro horas e vinte, com um intervalo demasiado curto, que não deu para todos os espectadores tomarem café, eu não tomei. A primeira parte tem uma narração linear, a segunda é mais complexa, exige mais concentração e eu já me sentia cansada, gostava de voltar a ver a segunda parte, mas como será um dia apresentada numa série de seis episódias na RTP, será de rever com todo o prazer, para além tudo gosto bastante de filmes de época.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

JOLY BRAGA SANTOS (1924-1988)

José Manuel Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa, a 14 de Maio de 1924. Desde criança revelou vocação para a música, gostava de ir à ópera e que lhe dessem instrumentos musicais para brincar, mostrando um especial interesse pelo violino. Aos seis anos, iniciou o estudo de violino e aos 10 anos de composição, com Luís de Freitas Branco, com quem estudou todas as matérias teóricas e em cuja doutrina estética se integrou, foi um convívio constante que só terminou com a morte do seu mestre em 1955.

Joly Braga Santos também passou pelo Conservatório de Lisboa, mas saiu incompatibilizado com o director da instituição, era um adolescente irreverente e bastante «aluado». O abandono do ensino oficial, criou uma grande relação com Freitas Branco, que foi de facto o seu «pai artístico» tendo a sua influência sido marcante nas suas primeiras composições, embora as mesmas também revelem influência da escola anglo-saxónica, de Vaughan Williams a Wiliam Walton, assim como de Sibelius. Pedro de Freitas Branco também contribuiu bastante para a carreira de Joly Braga Santos, porque deu a conhecer a sua obra em todo o mundo.

O músico compôs algumas peças de câmara e também canções sobre poemas de Fernando Pessoa, Camões e Antero de Quental, mas depois virou-se para a linguagem sinfónica e escreveu, mantendo-se fiel ao universo de pendor neo-clássico, quatro sinfonias no espaço de cinco anos, de 1945 a 1950, três delas foram logo apresentadas com a direcção de Pedro de Freitas Branco, pela Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Obras desta época também são: Elegia a Viana da Motta, Variações Sinfónicas sobre um tema alentejano, Divertimento para orquestra, Concerto para cordas e as óperas Mérope, com texto de Garrett e Viver ou Morrer com texto de João de Freitas Branco. A 4ª. Sinfonia não é uma obra folclórica, mas muitas das suas páginas estão impregnadas de um sabor popular, a construção cíclica obedece aos 4 andamentos e termina com o «Hino à Juventude», que na versão inicial, se destinava só à orquestra, a Sinfonia nº.3 tem as mesmas características, as duas foram escritas no Monte dos Perdigões, perto de Reguengos de Monsaraz e perpassa pelas mesmas, o ambiente alentejano.

Em 1948, passada a Segunda Guerra, foram-lhe concedidas, três bolsas de estudo, pelo Instituto de Alta Cultura. A guerra tinha-o impedido do contacto com a cultura musical europeia. Esta também foi uma das razões, porque procurou inspiração na tradição portuguesa e especialmente na obra de Freitas Branco, características que marcam o seu primeiro período criativo, onde está bem presente o antigo folclore português e o polifonismo renascentista.

A primeira foi para estudar direcção de orquestra com Hermann Scherchen, a segunda em 1957 durou dois anos e destinava-se a frequentar o atelier experimental de Gravesano e a terceira em 1959, teve por destino Roma, onde esteve um ano a estudar com Virgílio Martari e Gioachino Pasqualini.

Joly Braga Santos travou contacto com a vanguarda atonal e sem aderir ao serialismo dodecafónico, principiou a dar uma viragem na sua escrita, que está patente na 5ª. Sinfonia (1965), (escrita 15 anos depois da 4ª), nos Três Esboços Sinfónicos, no Concerto para violino, violoncelo, harpa e cordas, na Sinfonieta, no Réquiem à Memória de Pedro de Freitas Branco, no Duplo Concerto para violino e violoncelo, nas Variações Concertantes e na ópera Trilogia das Barcas, baseada em Gil Vicente e que foi levada à cena no Auditório da Gulbenkian e no Teatro São Carlos, com assinalável êxito. Dissonâncias e cromatismo, invadem a linguagem do compositor. A 6ª. Sinfonia a mais híbrida, escrita na fase atonal reflecte uma nostalgia pelo universo tonal do início, segundo o maestro Álvaro Cassuto, que dirigiu essa sinfonia em 1972, Joly Braga Santos tentou construir uma ponte, entre o que a época o obrigava a escrever e o que realmente lhe apetecia escrever, talvez esse dilema o tivesse impedido de escrever a sétima!

A sua música pode ser vista como uma fusão dos vários estilos europeus, particularmente da Europa Ocidental, ele próprio dizia: Desde sempre entendi que tinha de criar o meu próprio estilo e a minha música devia ser o resultado dessa criação. A melodia era para ele a razão de ser da música.

Foi eleito pela UNESCO em 1969,como um dos 10 melhores compositores da música contemporânea, pela sua Sinfonia nº.5. Joly Braga Santos disse de si próprio, parafraseando Stravinsky: Não me considero compositor, mas sim inventor de música. Os Esboços Sinfónicos foram distinguidos pela fundação holandesa Donemus, que se dedica a arquivar e a divulgar música de todas as nações.

Joly Braga Santos além de ser um compositor profícuo, também teve uma grande actividade social ligada à música: foi um dos fundadores da Juventude Musical Portuguesa (o hino deriva do último andamento da 4ª. Sinfonia); leccionou no Conservatório de Lisboa; foi membro do antigo Gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional; chefiou como adjunto a Orquestra do Conservatório do Porto de 1955 a 1959 e a Orquestra Nacional em 1960 e foi conferencista, articulista e crítico musical, em vários jornais e revistas.

O músico morreu subitamente aos 64 anos, em 18 de Julho de 1988, em plena actividade e na plena posse das suas faculdades. Seis décadas de vida e mais de seis dezenas de obras, que vão da canção à ópera, passando pela sinfonia, campo este onde foi o maior criador nacional de todos os tempos da nossa história da música. O estudo biográfico, o estudo estético-musicológico da sua obra, a catalogação das usas composições e a divulgação das mesmas, torna-se urgente ser feito, um mal de que padecem todos os compositores portugueses.


OBRAS ESSENCIAIS:
OBRAS TEATRAIS:
-Viver ou Morrer, ópera em 1 acto; Mérope, ópera em três actos; Trilogia das Barcas, ópera em três actos e a Cantata Cénica D. Garcia.
MÚSICA INSTRUMENTAL:
- 6 Sinfonias (a 6ª. Incluiu coro e soprano); 3 Aberturas; Elegia a Viana da Motta; Variações sobre um tema Alentejano; Divertimento nº.1; Três Esboços Sinfónicos; Variações para orquestra 1976 e Staccato brilhante.
MÚSICA PARA ORQUESTRA DE ARCOS:
- Nocturno; Concerto; Sinfonietta; Divertimento nº.2 e Variações Concertantes (orquestra de arcos, harpa e quarteto de cordas solista).

MÚSICA CORAL SINFÓNICA:
-Tríptico; a Cantata A Conquista de Lisboa; Réquiem à memória de Pedro Freitas Branco; Ode à Música e a Cantata As Sombras.MÚSICA CONCERTANTE:
-Concerto para violeta e orquestra; Concerto duplo para violino e violoncelo com orquestra de arcos e harpa; Concerto para piano e orquestra e Concerto para violoncelo e orquestra.MÚSICA DE CÂMARA:
-2 Quartetos de cordas; Trio para piano, violino e violoncelo; Ária a Tre com variazioni para violeta, clarinete e piano; Suite de Danças para piano, violeta, oboé e contrabaixo; Sexteto para 2 violinos, 2 violetas e 2 violoncelos e Improviso, para clarinete e piano.MÚSICA CORAL:
-Três Madrigais (Garcilaso de la Vega); Cuatro Canciones; Cantarcillo (Calderon de la Barca) e Dois Motetes.
EXCERTO DA SINFONIA Nº.2



Symphony No5 (VIRTUS LUSITANIAE)


STACCATO BRILHANTE