O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ANGÚSTIA, HISTERIA E PERVERSÃO NA HISTÓRIA DA ÓPERA

As perturbações mentais e os grandes estados alterados da psique sempre inspiraram os artistas ao longo dos tempos, estando na origem de um grande número de obras-primas da literatura, das artes plásticas, da música e do cinema.
Rui Vieira Nery, diz que a ópera vive do desequilíbrio psicológico extremo ou do intenso conflito emocional das personagens, dominadas por medo, ciúme, ódio, pavor ou inquietação. Os poucos exemplos de óperas que focam pessoas normais, são tão enfadonhos, que ninguém se lembra delas.
Personagens paradigmáticas do desequilíbrio feminino, numa galeria indeterminada
:

O desespero de Dido, da ópera Dido e Eneias, de Purcell



A histeria assassina da rainha da Noite de a Flauta Mágica de Mozart



Fragilidade emocional que acaba em desequilíbrio absoluto, personagem principal da ópera Lucia de Lamermmor, de Donizetti



Casos de obsessão sexual, Salomé e Elektra de Richard Strauss


SALOMÉ


ELEKTRA



Extraordinária frieza patológica, como em Lulu, de Alban Berg



Relativamente às personagens masculinas, sejam elas heróicas ou destrutivas é salientado a encarnação do vício, do mal, da perversão.


Iago de Otelo de Verdi




Scarpia da Tosca de Puccini




Macbeth de Verdi, que fica transtornado por uma enorme sede de poder aliada a uma enorme fraqueza de carácter



Personagens que representam a essência de uma cegueira suicida, através de confrontos, entre o amor e o dever, Radamés de Aïda, de Verdi



Desequilibrados pela rejeição social da comunidade onde se inserem, Peter Grimes, Britten.



(Fonte: Revista Gulbenkian)

terça-feira, 27 de abril de 2010

CÂMARA ESCURA - MIGUEL TORGA


CÂMARA ESCURA

Devagar,
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.
E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade.
Dois homens num só rosto!
Uma espécie de Jano sobreposto,
Inocente,
Impotente,
e condenado
A este assombro de se ver forrado
Dum pano de negrura que desmente
A nua claridade do outro lado.
in Antologia Poética de Miguel Torga..

FILMES DA MINHA VIDA - A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER - Philip Kaufman

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER




Revi o filme, A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER. Já o tinha visto no cinema, assim como também li o livro de MILAN KUNDERA. O romance passa-se nas cidades de Praga e Zurique, em 1968. Narra amores e desamores e também está presente a invasão russa à Checoslováquia e o clima de tensão política que pairava em Praga, a «Primavera de Praga». O livro aborda alguns relatos históricos, inserindo a narração num contexto real, pode ser lido parte como realidade, parte como romance, mas o amor está sempre presente, com conflitos do amor ideal e do «amor real».
As personagens principais são: Tomas, um médico jovem, com uma vida livre de compromissos afectivos. Tem uma relação informal com Sabina, uma artista e uma versão de Tomas no feminino. Tudo muda na sua vida quando conheceu Teresa, numas termas, sentindo por ela uma atracção. Deixou-lhe um cartão para o visitar se fosse a Praga. Teresa foi e entregou a sua vida a Tomas, alojando-se na sua casa e fugindo de uma vida decrépita e sem sentido. Tomas não tem coragem de a mandar embora. Teresa vai lidar com as infidelidades de Tomas.

Revi o filme, porque depois de ter lido referências sobre o romance, que eu desconhecia, me interessou novamente revê-lo.
O que li aqui pela net: A riqueza do romance está essencialmente em aspectos psicológicos e filosóficos. As inspirações em filósofos, como Parménides, Sartre e Nietzsche, são óbvias.
Segundo teorias do filósofo Parménides Eléia (cerca de 530 a.C. – 460 a.C., a problemática da leveza e do peso, advém das dualidades ontológicas do Ser. A dualidade, porém, por força de uma perspectiva unitária do Ser, surge da presença e da ausência. Neste sentido, o frio é apenas a ausência de calor, o não calor. As trevas são a ausência de luz, a não luz. Para Parménides, contrariamente ao pensamento lógico-formal, a problemática da dualidade leveza/peso revela o peso como ausência, como não-leveza.
Kundera desloca esse pressuposto para o campo existencial, mesclando-a ao problema da liberdade humana, numa perspectiva próxima à problemática do existencialismo. A leveza decorre de uma vida liberta de compromissos aproximando-se, das ideias de Jean-Paul Sartre sobre a condição humana. Tomas vive a leveza, mas quando fica vinculado a Teresa, experimenta o peso opressivo do comprometimento. A leveza, despe a vida do seu sentido, o peso do comprometimento é uma razão de ser, sob a perspectiva existencialista.
Sob a perspectiva filosófica nietzscheana, Tomas levava uma vida autêntica, construindo os próprios valores. Teresa ilustra a problemática da escravidão: incapaz de realizar um empreendimento como o de Tomas, amarra-o pela força da sua impotência, chegando depois a admitir ter «destruído a sua vida». Tomás, encarnando metaforicamente a noção nietzscheana, revela que não se arrepende de nada, remetendo à doutrina do Eterno Retorno, da filosofia nietzscheana, um escape para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura.
Eterno Retorno, a possibilidade das situações existenciais se repetirem indefinidamente, por força de uma finitude das possibilidades frente à infinitude do tempo. O que parece um fundamento cosmológico vazio ganha implicações éticas imensas na perspectiva de Kundera: uma vida que desaparece não tem o menor sentido. Uma mentalidade educada sob a perspectiva de uma história cíclica, repetindo-se indefinidamente, dificilmente deixaria escoar-se, no vazio a própria vida. O argumento do Eterno Retorno assume então uma face de «convite à vida», com suas alegrias e tristezas. A ideia do Eterno Retorno convida o homem a fazer a vida valer a pena de ser vivida.
Kundera também se refere à questão da atitude humana da compaixão. Sob uma perspectiva filológica, compara o sentido da expressão nas línguas latinas e nas línguas germânicas, e as implicações dessa nuance na vida psicológica e sentimental dos indivíduos. Na língua latina a palavra compaixão significa simplesmente piedade, um sentimento que se impõe quando um indivíduo está em posição de superioridade frente a um outro que sofre a relação do poder dominador, tem compaixão, sem compartilhar do sentimento que leva o próximo a sofrer.
Na língua germânica, compaixão assume um sentido de "co-sentimento": o indivíduo que sente compaixão sofre junto com o seu próximo. Para Kundera, a compaixão é muito mais terrível do que a piedade porque a incapacidade humana de transpor os limites da subjectividade faz com que o sentimento careça de um certo esforço imaginativo que quase sempre multiplica a dor do próximo, fazendo-a mesmo maior do que a do próximo. Tomas sente compaixão por Teresa e, é através da mesma, que ela consegue prender-se a ele em definitivo desde o primeiro momento.
MILAN KUNDERA (1929)

Nasceu no seio de uma família erudita, o pai foi um importante musicólogo e pianista. Kundera aprendeu a tocar piano e estudou musicologia, Literatura e Estética, desistindo de tudo, para estudar cinema. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper os seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor checo - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista checo por «actividades anti-partidárias». Em 1956, Kundera foi readmitido no Partido Comunista, mas em 1970, foi novamente expulso. Kundera, assim como Václav Havel e outros intelectuais checos, envolveu-se na Primavera de Praga, que terminou com a invasão soviética à Checoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levantamento reformista, frente ao totalitarismo comunista, desistiu definitivamente em 1975.
Kundera foi viver para França, onde se tornou um escritor de sucesso, recebendo, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985).

domingo, 25 de abril de 2010

BERNARDO SOARES - LIVRO DO DESASSOSSEGO













DETALHES DA ESCULTURA «BERNARDO SOARES» DO ESCULTOR ANTÓNIO SECO

«Nada pesa tanto como o afecto alheio - nem o ódio alheio, pois que o ódio é mais intermitente que o afecto; sendo uma emoção desagradável, tende, por instinto de quem a tem, a ser menos frequente. Mas tanto o ódio como o amor nos oprime(m); ambos nos buscam e procuram, não nos deixam (sós)»
Bernardo Soares - Livro do Desassossego

O que logo nos faz lembrar uma ode de Ricardo Reis: «Não só quem nos odeia ou nos inveja/ Nos limita e oprime; quem nos ama/não menos nos limita».
Chateaubriand também dizia:
on le fatiguait en l’aiman

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AS PAIXÕES DA ALMA

Em 1649, ano em que parte para Estocolmo a convite da rainha Cristina da Suécia, René Descartes (1596-1650) publica o Tratado das Paixões, correntemente conhecido como As Paixões da Alma. Descartes aprofunda aí a sua especulação sobre o pensamento humano, desmistificando a crença de que os sentimentos se localizavam no coração e insistindo em que é o cérebro que comanda todas as manifestações exteriores das paixões da alma, e contribui para uma longa tradição de tentativas de sistematização das paixões.
Dos artigos 53 a 67 enumera todas as paixões, mas no artigo 69 sustenta que há apenas seis «que são simples e primitivas». Todas as outras derivam destas. Ei-las:
a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza.



Mote para DIAS DA MÚSICA no CCB

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1241.html

(AGRADEÇO À A.P.S. A MOTIVAÇÃO PARA A PESQUISA)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ÓPERA - RICHARD WAGNER

TISTÃO ISOLDA


TANNHAUSER


DIE WALKÜRE: «THE RIDE OF THE VALKYRIES


( UMA AMOSTRA DA GRANDE OBRA OPERÁTICA DE RICHARD WAGNER )

segunda-feira, 19 de abril de 2010

À ESPERA DE GODOT - SAMUEL BECKETT

O que mais aprecio na obra de BECKETT, é a sua riqueza metafórica, privilegiando uma visão pessimista e absurda, sobre o fenómeno humano.

À ESPERA DE GODOT, é uma das obras mais conhecidas de Samuel Beckett. Faz parte do Teatro do Absurdo, classificação feita por alguns críticos de teatro.
O seu enredo, baseia-se na falta de comunicação entre as personagens e na espera de algo que não se resolve. A expressão "Á Espera DE Godot" era bastante utilizada em tempos passados, para indicar algo impossível, ou uma espera infrutífera.
Esta peça tem dois actos. Os personagens da peça são: Vladimir, Estragon, Pozzo, Lucky e um garoto.
Num lugar indefinido, encontram-se dois amigos, Estragon e Vladimir, à espera de Godot, que não se sabe quem é, nem o que eles querem dele. Os dois iniciam um diálogo trivial, que depois é interrompido pela entrada de Pozzo e Lucky. O aparecimento destes assusta os amigos, ainda mais pelo modo como os dois vêm: Pozzo puxa uma corda que na outra ponta está amarrada ao pescoço de Lucky. Lucky por sua vez carrega uma pesada mala, que não larga um só instante. Entende-se pela situação que Pozzo é o patrão e Lucky o seu criado. Os quatro trocam palavras, cada um com seu drama pessoal, até que Pozzo e Lucky saem. Em seguida, entra um garoto para anunciar, que quem eles estão esperando - Godot - não viria, talvez amanhã.
O segundo acto é uma cópia do primeiro. O cenário é o mesmo. Estragon e Vladimir voltam para esperar Godot, que talvez apareça nesse dia. Iniciam outro diálogo trivial, interrompido outra vez pela chegada de Pozzo e Lucky. Só que, inexplicavelmente, Pozzo está cego e Lucky está surdo. Dialogam. Após a partida destes, aparece um garoto (diferente do garoto do primeiro acto) anunciando que Godot não viria hoje, talvez amanhã. Pensam em se enforcar na árvore, mas desistem, ante a impossibilidade do acto ser simultâneo.



SAMUEL BECKETT (Dublin, 1906 — Paris, 1989), oriundo de uma família burguesa e protestante, estudou no Trinity College de Dublin, onde se formou em Literatura Moderna, especializando-se em francês e italiano. Em 1928, meses após sua mudança para Paris, conheceu James Joyce e tornou-se grande admirador do escritor, a sua obra posterior é fortemente influenciada por ele.
Andou entre Dublin onde leccionou e Paris. Publicou a sua primeira novela e foi viver definitivamente para Paris, onde casou com Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Um misterioso acidente ocorreu nessa altura, ficou gravemente ferido ao ser agredido por um estranho, que lhe desferiu uma facada no peito.
Durante a Segunda Guerra, fez parte com a mulher da resistência francesa, na ocasião da invasão de Paris pelo exército nazista, em 1941. Afastou-se da resistência em 1942, quando ambos foram obrigados a fugir da França. Em 1969 recebeu o Nobel da Literatura. Morreu em 1989.
Tem uma obra vasta, de teatro, romance, ensaio, novela e poesia.

FONTE - INTERNET

domingo, 18 de abril de 2010

LIVRO DO DESASSOSSEGO (BERNARDO SOARES)


«Se houvesse de inscrever, no lugar sem letras de resposta a um questionário, a que influências literárias estava grata a formação do meu espírito, abriria o espaço ponteado com o nome de Cesário Verde, mas não o fecharia sem nele inscrever os nomes do patrão Vasques, do guarda-livros Moreira, do Vieira caixeiro de praça e do António moço de escritório. E a todos poria, em letras magnas, o endereço chave Lisboa.»

sábado, 17 de abril de 2010

FILMES DA MINHA VIDA - HIROSHIMA, MEU AMOR

ERVAS DANINHAS


REALIZAÇÃO: Alain Resnais
INTERPRETAÇÃO: André Dussolier, Sabine Azema, Emmanuelle Devos
Experimentando a vertigem de nos sabermos próximos de uma verdade que as imagens (e os sons) convocam, mas não esgotam nem encerram.
As personagens parece que se aproximam por uma espécie de «destino» sem autor, ao mesmo tempo que o desenvolvimento dos seus contactos as expõe à dimensão mais absurda que as relações humanas podem conter. O filme é um exercício que coloca à prova a transparência de qualquer forma de percepção.
Alain Resnais (1922), ganhou um prémio de carreira em 2009 no encerramento do Festival de Cannes é conhecido por suas obras-primas, como Hiroshima meu amor/ Hiroshima mon amour (1959, com roteiro de Marguerite Duras), e O Ano passado em Marienbad/ L'année dernière à Marienbad (1961, com roteiro de Alain Robbe-Grillet). Ambos os filmes têm como marca o uso de temáticas que abordam questões de "tempo" e "memória". O Ano passado em Marienbad é um grande exemplo desse estilo de Resnais, o qual causou estranheza e incompreensão das audiências, frustrando muitos espectadores. Tornou-se um clássico do cinema por não ser - nem um pouco - inteligível. Lembro ainda, Muriel ou o Tempo de Um Regresso, Providence, Stavisky, entre outros.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

NOITE TRANSFIGURADA

Foi a peça «NOITE TRANSFIGURADA», que me levou à Casa da Música, não sou muito assídua relativamente à música Contemporânea, não gosto de tudo.


REMIX ENSEMBLE

Emilio Pomàrico direcção musical

Arnold Schönberg - Noite transfigurada
(Esta obra de Schönberg foi rejeitada pela Associação de Músicos de Viena. Composta em 1899 só foi executada em 1903. Segundo o compositor, Noite Tranfigurada apenas pretendeu representar musicalmente a natureza e os sentimentos humanos. È uma obra programática, escrita tendo por base um poema de Richard Dehmel: numa noite de luar intenso, num céu livre de nuvens, um casal apaixonado caminha pelo bosque olhando a lua; a mulher, grávida, confessa o seu tormento por ter dentro de si o fruto de outro homem, uma criança que lhe lembrará sempre esse pecado. O homem diz: «
Vê como cintila o céu claro!/Há um brilho à volta de tudo./Caminhas comigo sobre um mar frio,/mas um calor profundo irradia/de ti para mim, de mim para ti./Ele vai transfigurar esta criança estranha:/ Tu vais dar-ma, e de mim dar-lhe vida;/Tu deste-me esse brilho,/Tu fizeste de mim também uma criança.»
Esta obra dramática, usa técnicas de desenvolvimento motívico próximas dos leitmotiv wagnerianos.
RESTANTE PROGRAMA:
Emmanuel Nunes, Tissures
Igor Silva, Terminus, para viola solo e electrónica. Vencedor do Prémio de Composição Casa da Música/ ESMAE 2009 (estreia mundial)
Ferruccio Busoni, Berceuse Elegiaque op. 42. Peça que o compositor dedicou à mãe, depois da sua morte. Na partitura escreveu: «O homem canta à sua mãe morta a mesma canção que esta lhe cantou, quando era pequeno e que nele habitou toda a vida».
Friedrich Cerha, Les Adieux

quarta-feira, 14 de abril de 2010

FRUSTRAÇÃO - EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO




EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO ("À la recherche du temps perdu") obra de Marcel Proust escrita entre 1908-1909 e 1922, publicada entre 1913 e 1927 em sete volumes, os três últimos postumamente.
(APENAS LI O 1º. VOLUME. TENHO TODOS, O MEU PROPÓSITO É LER ESTA OBRA COMPLETA)Du côté de chez Swann (No caminho de Swann 1913)
À l'ombre des jeunes filles en fleurs (À sombra das raparigas em flor, 1919, recebeu o prémio Goncourt desse ano)
Le Côté de Guermantes (O caminho de Guermantes, publicado em 2 volumes de 1920 e 1921)
Sodome et Gomorrhe (Sodoma e Gomorra, publicado em 2 volumes em 1921-1922)
La Prisonnière (A prisioneira, publicado postumamente em 1923)
Albertine disparue (A Fugitiva - Albertine desaparecida, publicado postumamente em 1927) (título original: La Fugitive)
Le Temps retrouvé (O tempo reencontrado, publicado postumamente em 1927)
Pelas suas ambições (alcançar a substância do tempo para poder se subtrair à sua lei, a fim de tentar apreender, pela escrita, a essência de uma realidade escondida no inconsciente “recriada pelo nosso pensamento”). Em busca do tempo perdido, faz parte das maiores obras da literatura universal.

Proust abordou a Primeira Grande Guerra, incluindo o bombardeamento aéreo de Paris; os pesadelos de juventude do narrador transformaram-se num campo de batalha, com 600.000 alemães mortos na luta por Méséglise, e com Combray dividida entre os dois exércitos.
O papel da memória é central no romance. Quando a avó do narrador morre, a sua agonia é retratada como um lento desfazer, as suas memórias parecem ir-se evaporando dela, até já nada restar. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor utiliza uma analepse, e faz com que o narrador recue no tempo das suas memórias, em episódios desencadeados por recordações de cheiros, sons, paisagens ou mesmo sensações tácteis.
Uma grande parte do romance debruça-se sobre a natureza da arte. Proust avança com uma teoria da arte em que todos somos potenciais artistas, se por arte entendemos transformar as experiências de vida do dia a dia em algo revelador de maturidade e entendimento. A música é também abordada extensamente. Morel, o violinista, é apresentado para exemplificar um certo tipo de carácter artístico, e o valor da música de Wagner é também debatido.
A homossexualidade é um dos temas principais do romance, especialmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes seguintes. Em Busca do Tempo Perdido é o primeiro dos grandes romances em que a homossexualidade é tema central, tanto como conceito para discussão como pela descrição do comportamento dos seus personagens. Embora o narrador se descreva como heterossexual, suspeita constantemente das relações da sua apaixonada com outras mulheres. Também Charles Swann, a figura central de grande parte do primeiro volume, tem ciúmes da sua amante Odette (com quem mais tarde casará), que acabará por admitir ter realmente mantido relações sexuais com outras mulheres. Alguns personagens secundários, como o Barão de Charlus (inspirado no à época famoso Robert de Montesquiou), são abertamente homossexuais, enquanto outros, como o grande amigo do narrador, Robert de Saint-Loup, são mais tarde apresentados como homossexuais não assumidos. A monumental confrontação do tema da homossexualidade em Em Busca do Tempo Perdido revelou aos leitores, que a homossexualidade poderia ser mais que apenas actos lascivos de sodomitas ou os maneirismos afectados de homens obcecados em negar a sua masculinidade. Em vez disso, o romance de Proust apresentou a homossexualidade como um assunto complexo e multifacetado, que, se examinado de perto, derrota todos os estereótipos.
Em 1949, o crítico literário Justin O'Brien, publicou um artigo denominado, Albertine the Ambiguous: Notes on Proust's Transposition of Sexes ("A ambiguidade de Albertina; notas sobre a transposição de géneros sexuais em Proust"), que afirmava que alguns dos personagens femininos, nomeadamente a amante do narrador, Albertina, seriam melhor entendidos se lhes mudasse o género sexual para o masculino: os nomes das amantes do narrador são todos possíveis no masculino: Albertine (Albert), Gilberte (Gilbert), Andrée (André). Esta teoria ficaria conhecida como a "teoria da transposição dos sexos" na análise crítica da obra literária de Proust, que seria mais tarde retomada por Eve Kosofsky Sedgwick em, Epistemology of the Closet (A Epistemologia do Armário). Outros temas importantes nesta obra são a doença física e a crueldade.
FONTE-INTERNET

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ÓPERA SALOMÉ – TEXTO DE FERNANDO PESSOA

Trata-se de um texto dramático que Fernando Pessoa nunca chegou a concluir, sobre a personagem bíblica Salomé e que serviu de inspiração a Pedro Amaral, para compor a sua primeira ópera, O Sonho (estreia mundial em Londres no dia 25 de Abril, estreia nacional na Fundação Gulbenkian no dia 3 de Maio).
Sem título, Pessoa criou um texto que encerra uma muito peculiar interpretação da personagem Salomé. Esse projecto de peça, passível de muitos fios de leitura, foi adaptada por Amaral, com o objectivo de criar uma obra original, inspirada na beleza onírica deste drama pessoano.
As razões que levaram Amaral a escolher o texto: interpretação fascinante do mito de Salomé, o carácter simbolista do texto e a sua linguagem, que é trabalhada como um rendilhado precioso, polido em cada palavra, mas criando simultaneamente uma impressão difusa, como um halo poético que emana das vozes e das personagens.







SALOMÉ - CARAVAGGIO
ORIGENS MÍTICAS DE SALOMÉ: No Novo Testamento, sobretudo no Evangelho de S. Marcos, este mito surge num episódio lateral e, dentro do próprio episódio, Salomé é uma personagem secundária. A personagem central é Herodíade, mãe de Salomé, que casou em segundas núpcias com Herodes, irmão do primeiro marido e isso teve contornos escandalosos. No deserto, João Baptista clamava com veemência contra Herodíade, chamando-lhe «prostituta da Babilónia». Herodes mandou prendê-lo, mas devido à sua aura de santidade, não o queria matar, no entanto a sua enteada Salomé vai provocar isso. Durante um banquete Salomé dança e Herodes fica tão fascinado, que imprudentemente, lhe oferece tudo que ela desejar e esta sem saber o que pedir, consulta a mãe, que lhe ordena que peça a cabeça de João Baptista.
Este mito motivou várias abordagens: o romance de Flaubert, que deu origem à ópera Hérodiade de Massenet, Eça de Queiroz, dedicou-lhe algumas páginas na Relíquia, Salomé de Eugénio de Castro, Hérodiade de Mallarmé, Oscar Wilde que deu a Salomé uma grande carga erótica, assim como o compositor Richard Strauss e até Freud nos seus, Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade.
A forma de Pessoa abordar este mito é única e original. Como Pessoa, Salomé é alguém que vive essencialmente em pensamento. Salomé e Pessoa são ambos a imagem de João Baptista, cabeças separadas do corpo. Salomé foi construída à imagem de Pessoa, uma sonhadora. Há alguma diferença entre o sonho e a vida? Pessoa coloca-nos no interior de um intrincado labirinto de sonhos. Pessoa sonha uma personagem, Salomé, que sonha outra, João Baptista, que sonha outra um deus. Nesta peça todas as personagens podem ser vistas como criações de Salomé.

domingo, 11 de abril de 2010

UMA EXPOSIÇÃO QUE VALE A PENA VER

LOCAL: CADEIA DE RELAÇÃO DO PORTO - COBRE UM PERÍODO QUE VAI DO FIM DA MONARQUIA ATÉ AO 25 DE ABRIL DE 1974





























PEQUENA AMOSTRA FOTOGRÁFICA, DE UMA GRANDE AMOSTRA NO LOCAL, ONDE É ABORDADA TODA A NOSSA HISTÓRIA DESTE PERÍODO.
EXPOSIÇÃO ORGANIZADA PELO PROF. MANUEL LOFF, MEU EX-PROFESSOR DE SOCIEDADE, ECONOMIA E POLÍTICA DA IDADE CONTEMPORÂNEA.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PERSEPOLIS

PERSÉPOLIS

Persépolis era a antiga capital do Império Persa. A partir de 522 a.C., foi a capital do Império Aqueménida, que na Antiguidade dominou a região do Oriente Médio. A cidade de Persépolis localizava-se no actual Irão, e foi a capital religiosa dos Aqueménidas.
Quando Alexandre III da Macedónia invadiu o Império Persa, permaneceu algum tempo na capital imperial. Um incêndio no palácio oriental de Xerxes alastrou-se por toda a cidade. Há duas hipóteses sobre a origem do incêndio: uma vingança de Alexandre pelo incêndio da Acrópole, ordenado por Xerxes durante a segunda guerra greco-pérsica, ou um acidente provocado por Alexandre e seus generais durante uma bebedeira.
Em 1931, foram encontradas ruínas de um enorme palácio, com uma arquitectura muito avançada para o tempo. Persépolis foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO em 1979.

Ontem estive a rever o filme.

(PRÉMIO DO FESTIVAL DE CANNES) Realizado por Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, com vozes de Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian...
O filme conta-nos a história de Marjane, uma jovem iraniana de oito anos que se vê no meio de uma das mais violentas e radicais revoluções do Médio Oriente, vivendo os primeiros dias da nova Republica Islâmica do Irão, um regime severo e controlador, fiel às leis do Islão e que controla todos os aspectos da vida social e religiosa dos iranianos. A família de Marjane não é a tradicional família islâmica, são cultos, modernos e reticentes à “nova lei”. Marjane é uma rapariga ocidentalizada e repentinamente vê-se obrigada pelo Estado a usar o véu islâmico e a ter o menor contacto possível com a cultura do Ocidente, porque é considerada imoral e contraria os bons costumes. Com o rebentar do conflito Iraque – Irão, Marjane é enviada pelos seus pais para a Áustria, onde é finalmente livre de pensar. Tanta liberdade também vai confrontar Marjane com situações bizarras, principalmente no aspecto afectivo. Marjane, um pouco mais velha, começa a sentir saudades da família e vai trocar a liberdade alcançada na Áustria pelo regime de tirania e repressão iraniano, embora mais tarde vá para Paris.Todo o filme, aborda o contraste entre a civilização Ocidental e Islâmica. Pelos olhos de Marjane, vamos aprendendo através de vários diálogos e situações um pouco da história do Irão e do fanatismo religioso do Islão.Para abstrair um pouco a ideia rígida por detrás do argumento de Persépolis, existem vários momentos cómicos que são protagonizados por Marjane.
Persépolis não apresenta a riqueza gráfica e digital de outras obras animadas, nem de longe nem de perto, usando cores escuras e traços animados simples, apelando ao tradicionalismo da animação, aposta numa visível simplicidade que esconde uma complexa composição de cenas e imagens. O filme não é muito apelativo de um ponto de vista visual, há sempre aquela tendência do publico torcer o nariz a produções não americanas (ainda por cima de animação). É uma obra «sui-generis», para agradar a alguns.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

JOLY BRAGA SANTOS



(COM 5 POEMAS DA «MENSAGEM» DE FERNANDO PESSOA)

ÁLVARO CASSUTO

Álvaro Cassuto, assinou um contrato com a editora NAXOS de 15 discos, para divulgação internacional da música erudita portuguesa, com grandes orquestras estrangeiras, porque as portuguesas não tocam composições portuguesas. Há boa música erudita portuguesa: BOMTEMPO, CARLOS SEIXAS, VIANNA DA MOTA, FREITAS BRANCO, JOLY BRAGA SANTOS...música boa, que pode ser tocada em qualquer sala de concertos a nível internacional, mas por cá a música portuguesa é sempre esquecida, resta-me os meus cds e o youtube.

Álvaro Cassuto (n. 1939) é um chefe de orquestra português de grande projecção internacional. Nasceu no Porto e é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa.
Estudou regência com Pedro Freitas Branco e Herbert von Karajan, diplomando-se no Conservatório de Viena.
Foi Maestro-Adjunto da Orquestra Gulbenkian (1965-1968), em 1970 é nomeado sub-director da Orquestra Sinfónica da RDP em Lisboa e eleito seu Maestro Director em 1975.
Assistente do famoso Leopold Stokowski da "American Symphony" de Nova Iorque, em 1969 foi galardoado com a mais importante distinção para jovens maestros nos EUA, ocupando, sucessivamente o cargo de Maestro Director da:
Orquestra Sinfónica da Universidade de Califórnia (1974-79)
Rhode Island Philharmonic (1979-85)
National Orchestra of New York (1981-87), com a qual actua regularmente no famoso Carnegie Hall.
Na Europa tem regido, com regularidade, algumas das melhores orquestras, designadamente as de: Londres, Berlim, São Petersburgo e Moscovo, entre outras.
Como compositor, Álvaro Cassuto afirmou-se como um dos compositores de destaque da vanguarda portuguesa dos anos 60.

terça-feira, 6 de abril de 2010

VOLTANDO A SEBASTIÃO ALBA

Perfazem 10 anos sobre a morte de Sebastião Alba, (1940-2000) e têm ocorrido algumas homenagens. Já escrevi no blogue sobre este poeta e vou acrescentar mais alguns dos seus poemas.
RECORDANDO: Sebastião Alba nasceu em Braga. Após viajar para Moçambique, passou a conviver com um importante grupo de escritores e intelectuais. Foi jornalista, guerrilheiro político, e teve uma vida bastante agitada e cheia de desilusões, com passagens por prisões e hospitais psiquiátricos. Alba passou com o tempo a viver como andarilho, acabando por morar na rua e morreu atropelado em Braga . "Um dos grandiosos deuses humildes da palavra", foi como se referiu a ele José Craveirinha, considerado o maior poeta africano e primeiro escritor moçambicano a ganhar o Prémio Camões de Literatura.

NÃO SOU ANTERIOR A ESCOLHA

Não sou anterior à escolha
ou nexo do ofício
Nada em mim começou por um acorde
Escrevo com saliva
e a fuligem da noite
no meio de mobília
inarredável
atento à efusão
da névoa na sala.

O LIMITE DIÁFANO

Movo-me nos bastidores da poesia,
e coro se de leve a escuto.
Mas o pão de cada dia
à noite está consumido,
e a alvorada seguinte
banha as suas escórias.
Palco só o da minha morte,
se no leito!,
com seu asseio sem derrame...
O lado para que durmo
é um limite diáfano:aí os versos espigam.
Isso me basta.
Acordo
antes que a seara amadureça
e na extensão pairem,
de Van Gogh, os corvos.


GOSTO DOS AMIGOS

Gosto dos amigos
Que modelam a vida
Sem interferir muito;
Os que apenas circulam
No hálito da fala
E apõem, de leve,
Um desenho às coisas.
Mas, porque há espaços desiguais
Entre quem são
E quem eles me parecem,
O meu agrado inclina-se
Para o mais reconciliado,
Ao acordar,
Com a sua última fraqueza;
O que menos se preside à vida
E, à nossa, preside
Deixando que o consuma
O núcleo incandescente
Dum silêncio votivo
De que um fumo de incenso
Nos liberta.

EPÍLOGO

Fui
hóspede desta mansão
na encruzilhada
dos meus sentidos.
O verso apenas é,
transversal e findo,
o poleiro evocativo
da ave do meu canto.
Essa ave em que o Outono
se perfila
e, cada vez mais exígua
no rumo e nas vigílias
do seu bando,
de súbito, espirala
até sumir-se
num país imaginário.
PRAIA

Entre dois domingos
a cidade oculta-nos
a lisa permanência do vento
e ele rectifica uma duna
Mas já a luz elide
nossas olheiras do asfalto
velozes véus de areia descobrem
pequenos sarcófagos de conchas
Refugiamo-nos
Mortal só a distância
de nem um indício no mar.

AS CASAS CONSTROEM-SE DE SOMBRAS

As casas constroem-se de sombra
quatro sombras ao alto
longe da esfinge dos astros
Falamos das cidades dos homens
que de tão sós as despovoam
Das casas nunca
Só as casas solitárias têm história
Giram na noite presas à face da terra
E vede a plasticidade das casas ao sol
a amabilidade das casas
à porta a incomunicabilidade
das casas sob os bombardeios.

CERTO DE QUE VOLTAS, CANÇÃO

Certo de que voltas, canção, a incerta hora,
espero como quem mora
só, a visitação.
Sei, por sinais e anjos e desviados,
que rebentas dos sonhos desolados em flores no chão.
Apenas flores, nem nimbos na lapela.
Flores para a mesa,
com o odor da certeza
de água, vinho e pão.
Apenas flores e tu,
ó meu amor sem nome,
e a nossa dupla fome
dum menino nu.

domingo, 4 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

BANDA SINFÓNICA PORTUGUESA - CASA DA MÚSICA

Tive uma agradável surpresa ao ir assistir a um concerto da Banda Sinfónica Portuguesa!..Regularmente aos Domingos ao meio dia esta Banda toca na Casa da Música e as entradas são gratuitas. Frequentadora de concertos há muitos anos, tanto de música sinfónica, como de música de câmara e sacra, olhava para os programas da Banda Sinfónica e não me motivavam, os compositores tocados nem eram do meu conhecimento e bandas associava às bandas das romarias, que até podem tocar obras interessantes e já tenho ouvido algumas, uns clássicos mais conhecidos e nunca falta Glenn Miller!...
Um dia acontece e aconteceu!...


A Banda, incluiu essencialmente metais, muita percussão, piano, órgão, harpa, celesta, poucos violoncelos e 1 contrabaixo. Esta Banda tem de facto muito bom nível e obviamente que tenho que lamentar a minha ignorância, mas como é meu lema todos os dias aprender alguma coisa e há sempre tanto para aprender, esta ida a este concerto foi bastante gratigicante.


A temática do concerto era «O HOMEM E A NATUREZA»

e a BANDA SINFÓNICA PORTUGUESA, dirigida por DOUGLAS BOSTOCK, tocou obras em primeira audição em Portugal.


VÁCLAVNELHYBEL, Trittico

HIROSHI HOSHINA, Kosshi
ALFRED REED, Awakening, de Trhee Revelations from the Lotus Sutra
PERCY GRAINGER, The Power of Rome and Christian Heart
TOSHIO MASHIMA, Les Trois notes du Japon